Eu me chamo Lucy, mais precisamente Lucy Lewis, eu tenho 16
anos. Bem, 16 anos pode ser pouco tempo, mas depende do que eu vivi, na verdade
eu já presenciei muita coisa que algumas mulheres de 30 nem sonham em viver.
Pode até parecer ou ser exagero, mas é o que eu e a maioria das pessoas que me
conhece achamos. Obviamente eu já tive muitas lições na vida, perdi e ganhei,
com um peso considerável para o lado da perda. Mas o passado não importa, pelo
menos não muito. Estou tentando viver o presente, sem olhar para trás e nem
olhando muito para frente. É o presente, é só isso que realmente importa. Mesmo
com a solidão que me assola desde que minha melhor (e única) amiga foi morar em
Liverpool.
– 11 de maio de 1963
O despertador tocara sonoramente, bem que eu gostaria de
ficar na cama confortavelmente, mas não, minha mãe não permitia, ela achava que
acordar tarde, mesmo no sábado, prejudicaria meus hábitos, consequentemente
minha vida e meu relógio biológico. Mas quer saber? Não me importo com nada
disso.Levantei-me e após um banho rápido vesti um de meus vestidos, simples, de
algodão, preto com estampa de poá. Desci as escadas vagarosamente para tomar um
também rápido, café da manhã.O dia estava ensolarado, um dia absurdamente bonito,
um dia típico para ler no parque. Peguei uma velha toalha de piquenique e meu
livro favorito de Shakespeare: Muito Barulho Por Nada, e rumei para o parque.
Segui em uma lenta e agradável caminhada ao parque. O céu estava maravilhoso,
era uma visão agradabilíssima aos olhos, estava com uma coloração da qual eu
pensei nunca ter visto, o céu parecia marmelada em sua coloração.
O lado bom de morar é Londres é que sempre se tem onde ir,
sozinho (o meu caso, há um tempo) ou acompanhado. Depois de 1 hora lendo no
parque resolvi ir para Picadilly Circus, ver como estava lá, faziam mais de
duas semanas que eu não sequer passava por lá. Pulei no primeiro bonde que vi,
mais uma das coisas boas de se morar em Londres, o transporte público é muito
eficiente.Saltei em Picadilly Circus, mas o fog já estava bem denso, ou seja,
hora de voltar pra casa. Passei 30 minutos lá, mas tudo que é bom passa rápido.
– Que saco! -murmurei pra mim mesma.
Levantei-me e pulei no segundo bonde do dia,cheguei em casa
irritada, minha mãe me xingou, mandei ela ir a merda, fiquei de castigo, que
ótimo. Um dia que era pra ser calmo virou uma bosta, muito bom isso.
Pelo menos foi mais um dia que passou...
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